Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia


Todo amor que houver nessa vida – Cazuza


Porque eu só tenho de agradecer ao momento em que o Thi entrou na minha vida, porque acima de tudo ele é meu parceiro. Defeitos eu e ele temos (e não são poucos), mas viver juntos é saber enxergar que as qualidades sempre são mais fortes do que qualquer defeito. E ele está sempre disposto a fazer qualquer coisa pra me fazer feliz.

Ele me manda flores no aniversário de casamento, reveza comigo as noites em claro pra cuidar das meninas, dorme no colchão quando eu tô com dor nas costas pra poder me esparramar pela cama, desce pra buscar as compras quando eu chego do mercado etc. etc. etc.

E por mais que as meninas tenham dado muito trabalho nas últimas duas semanas, se revezando no papel da doente do momento, tudo fica mais fácil de aguentar já que tenho o Thi do meu lado. E cada um desses pequenos atos é que vão fazendo um todo de uma vida que é feliz na maior parte do tempo. :)

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava.
De olhos abertos, lhe direi:
- Amigo, eu me desesperava.
Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português

À Palo Seco (Belchior) – Ednardo

Um monte de gente já gravou, até Los Hermanos, mas a versão que eu mais gosto mesmo é a do Ednardo. E o trecho de hoje foi escolhido para mostrar toda a minha insatisfação com uma sociedade acomodada, que não faz nada de concreto para melhorar nada, mas que acha que vai mudar o mundo twittando ou mudando o avatar no Facebook.

Hoje só consegui ver uma bóia de salvação nos tweets da Lelê (ao menos eu vejo que sei escolher bem os meus amigos, porque gente pra seguir por lá, já vi que tenho vocação pra escolher só porcaria…). E a questão não é nem de concordar ou discordar com algo – no caso a pauta do dia foram os estudantes da USP – mas sim de ser coerente com o que fala (ou escreve) e o que faz. E além da falta de coerência, eu me senti no final do século XIX, tamanha a postura reacionária dos tweets. Sei lá, acho que estamos retrocedendo no tempo e só eu não percebi.

E pensar que há menos de 30 anos, centenas de milhares de pessoas iam às ruas pedir por eleições diretas, há 40 anos tinha gente (como o meu pai) sendo barbaramente torturada pra acabar com uma ditadura que só nos permitia dizer amém a tudo aquilo que eles nos empunham. Dói saber que meu pai foi espancado, perdeu todos seus dentes para trazer liberdade pra esse bando de alienados ficarem apoiando PM que espanca estudantes, professores ou qualquer outro tipo de manifestante. Pra esse povo chamar grevista de vagabundo. Pra pedir a volta da ditadura.

O que esse bando de idiota nem para pra pensar é que, se não fosse por todos esses “vagabundos”, eles não estariam vociferando essas barbaridades no Twitter. Chega a me dar desgosto. E pensar que tão perto daqui, os argentinos (apesar de voltarem mal pra diabo) são completamente engajados e envolvidos com todo política. Toda hora estão se unindo, organizando manifestações, piquetes, greves, e bem ou mal, apesar de votarem como paulistas (e isso está bem longe de ser um elogio, ok!), acabam conseguindo conquistar algumas coisas, já que sabem lutar por isso e fazem valer seus direitos ao passo que exercem, de fato, seus deveres de cidadãos.

E aí, enquanto esse povo bota avatar de desenho achando que vai acabar com a violência infantil ou twitta #forasarney, crente que isso é mesmo uma manifestação, eu sigo me desesperando e me sentindo como Quixote combatendo os moinhos…

Recriar cada momento belo já vivido
e ir mais, atravessar fronteiras do amanhecer
e ao entardecer olhar com calma
então…

Alma, vai além de tudo
o que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida
tira a mancha que há no meu ser
Te quero ver, te quero ser,
Alma


Änïmä (Milton Nascimento e José Renato) – Milton Nascimento

Essa é a minha música favorita na vida, por isso ela já apareceu outras vezes aqui, e como faz um tempo que eu não apareço por aqui, nada mais justo do que ela para reabrir os trabalhos, né!

Tô numa correria tão louca, que eu tenho 12 posts rascunhados aqui que eu não consegui terminar. Mas tô me empenhando em administrar melhor o meu tempo pra conseguir postar mais aqui e no Teia de Renda. Porque, bem ou mal, vir aqui escrever é uma terapia.

E Änïmä, pra mim é uma dessas músicas que me traz lágrimas aos olhos e que como a própria letra sugere, sempre me faz dar um mergulho dentro da minha alma. É dessas que eu gosto e ouvir quando preciso parar, respirar, ficar mais centrada. E é o que eu mais tenho tentado fazer ultimamente. E pela enésima vez, prometo que vou tentar postar mais. :)

Se me der um beijo eu gosto
Se me der um tapa eu brigo
Se me der um grito não calo
Se mandar calar mais eu falo
Mas se me der a mão
Claro, aperto
Se for franco
Direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto


Recado – Gonzaguinha (Gonzaguinha)

Bom, o motivo óbvio pelo qual a música grudou na cabeça é que hoje estreia a novela nova da Globo, Fina Estampa, e não sei se essa é a música da abertura, mas é a das chamadas que apresenta cada personagem. E como eu adoro essa música, foi impossível não reconhecê-la e passar os últimos dias cantarolando pra cima e pra baixo.

Ela é toda fantástica e foi difícil selecionar só um trecho, mas acabei optando pelo trecho inicial, embora eu ame a frase: ‘Quem mandava em mim nem nasceu’, que é de outro trecho. Mas o escolhido foi porque é muito um retrato de mim mesma, daquela que não leva desaforo pra casa, mas que tem sempre uma atitude de fazer um contato amigável e de ser receptiva ao primeiro contato, sem falar que sou das que move montanhas por aqueles que me são caros e por eles sou disposta a encarar as maiores enrascadas. Agora eu tô ansiosa pra ver uma novela que tem no escalão de frente Lilia Cabral e Christiane Torloni e que tem uma música tão incrível em sua trilha sonora. E que seja melhor que Insensato Coração – hehehe.

Canta uma canção bonita
Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquelas
De filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção
Que aguente essa paulada
E a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquelas
Pula da janela
E bate o pé no chão


Intuição (Oswaldo Montenegro/Ulysses Machado) – Oswaldo Montenegro

Pois é, mundo, eu gosto de Oswaldo Montenegro (e desde criança!), e já, desde criança que ouço zoações dizendo que sou a única pessoa do mundo que gosta dele – hehehe – mas que se pode fazer?! Como se explicar amores e empatias?! Não se explica… :)

Aí que eu sempre me emocionei demais com as letras, sempre me identifiquei muito. E essa é, particularmente, uma canção linda, com uma melodia extremamente tocante. E que fala de algo muito forte pra mim, que é a fé e a esperança: no mundo, na humanidade, no que há de melhor nas pessoas. E apesar de dia após dia um monte de gente se esforçar em me provar que eu estou errada em acreditar nos outros, volta e meia aparece uma pessoa com uma atitude tão nobre e grandiosa, que só reforça ainda mais a minha fé.

Por isso eu sou teimosa sim e acredito mesmo num mundo melhor e em pessoas que se preocupam com os outros e que tem uma motivação maior que se “dar bem” às custas dos outros.

A nossa história parece um filme
Que assistimos na semana passada
Final feliz, isso é normal,
Realidade é muito mais virtual
Não tem ressentimento pois contigo aprendi
Que desse amor não podemos fugir
Cartas sobre a mesa, não podemos negar
Nada é perfeito mas eu quero é jogar


Realidade Virtual (Toni Garrido, Lazão, Da Gama, Bino) – Cidade Negra

Semana passada, voltando do Rio ressuscitei alguns CDs para ir ouvindo durante as cerca de 10 horas de viagem – porque desde fevereiro, quando meu vôo atrasou 7 horas, já vi que o jeito mais rápido e confiável de se ir até o Rio é de carro – sem falar na comodidade de ter transporte pra todo lado numa cidade que tem trasporte público mais deficiente do que São Paulo e ter toda a liberdade de chegar e sair de lá na hora que eu bem entender.

E na viagem que fiz semana retrasada eu ressuscitei meus CDs do Cidade Negra e aí que, ouvindo Realidade Virtual, vi que alguns trechos dela remetem tanto à minha história com o Thiago. São 6 anos e meio juntos e já passamos por tanta coisa, tanta, tanta, tanta. Todo o tipo de situação, desde as mais felizes e sublimes, às mais sofridas e duras, e como companheiros que somos, seguimos adiante.

E esse é trecho é tão a gente que eu fiquei cantarolando por dias, até que me sobrou um tempinho de vir aqui e postar. Sei que já prometi isso tantas vezes, mas vou reforçar: vou tentar não ficar tanto tempo sem postar. :)

Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro, velando por mim

Vieste de olhos fechados num dia marcado
Sagrado prá mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim


Vieste (Ivan Lins e Vitor Martins) – Ivan Lins

Nossa, eu tenho uns 6 posts começados nesse mais de um mês que fiquei sem postar, mas me faltou tempo para dissertar um pouco sobre a música que escolhi e aí que eles iam ficando assim, sendo apenas rascunhos… Mas hoje tomei coragem e vim que vim.

Essa música é linda, né! E eu tô aqui toda saudosa, sentindo muita falta do Thi. Ele foi pra Brasília na semana passada, voltou domingo e na terça já embarcou pra Los Angeles e lá fica até domingo. A tia dele até brincou que nosso casamento vai durar muito, já que nem sobra tempo pra brigar – hehehe.

Vieste é uma luva para nós dois, de seu primeiro ao último verso. Ele chegou na minha vida num momento muito providencial e foi imprescindível no desenrolar de muita coisa que aconteceu depois daquele maio de 2005. E ele chegou, mesmo, com a cara e a coragem pra dentro de mim, definitivamente. Meu grande amigo e confidente acima de tudo. Poucos tem o privilégio de ter um companheiro no sentido mais pleno da palavra. Vejo que ele não faz nenhum tipo de esforços para me fazer feliz, ir atrás de algo que sabe que vai me agradar, e mesmo os favores pequenos do dia-a-dia. Tenho que me sentir muito grata a todos os deuses por terem me reservado uma pessoa tão especial para fazer parte do meu destino.E são por todos esses motivos e mais tantos outros que jamais poderão ser expressos em palavras que eu posso dizer com toda a força que eu amo muito o Thiago. <3

Sou hóspede do tempo
Da minha casa
Das minhas palavras
Das coisas que declaro minhas
Inquilina da vida que me foi dada
Portanto, nada
Ficou na minha bagagem
Do velho brinquedo
Que já não ilude, não me ilude

O que eu tenho é minha atitude
O que eu levo é minha atitude
O que pesa é minha atitude
Minha porção maior


Hóspede do Tempo (Fred Martins e Zélia Duncan) – Zélia Duncan

Eu sou hóspede do tempo, mesmo, mesmo. Em todo tipo de sentido, porque sou uma pessoa que ama o futuro e entro sempre de cabeça em tudo que ele oferece. Mas ao mesmo tempo, sou muito orgulhosa e apaixonada pelo meu passado, pelo que vivi e que fez de mim o que sou hoje – com tudo de bom, de ruim, de tropeções e de vitórias. Hoje sou uma mulher que tem muita ciência daquilo que é e do que quer se tornar e, principalmente, de como caminhar pra chegar lá. Afinal, o que eu tenho é minha atitude… :)

PS: Não tinha a música no blip.fm e aí tive que recorrer ao Youtube, mas é um clip tosquinho, portanto, se quiserem ouvir a música, é só dar play e ir fazer outras coisas. Só escutem, nem precisa ver, que não perde nada – hehehehe

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna


Martelo Bigorna – Lenine

Hoje eu tive, eu precisei… Era uma obrigação para com a música brasileira de qualidade. Isso por conta do resultado do Melhores do Ano do Domingão do Faustão. Que é só a constatação de como o brasileiro vota mal em toda e qualquer instância: é em eleições, reverendo, BBB, A Fazenda, Multishow, VMB e por aí vai. No Melhores do Ano é que não seria diferente…

Pra começar que eu achei desonroso colocarem o Lenine concorrendo ao lado de Rebolation e Meteoro da Paixão. Sério, chega a ser ofensivo… E é claro que, desde o começo eu sabia que as taliFãs do Luan Santana fariam com que a canção dele saísse vencedora. E é óbvio que quem coloca Lenine na mesma panela de Parangolé e Luan Santana não pode ter a mínima noção do que é música, de melodia, de poesia, de ritmo e de mais nada nessa vida.

A canção do Lenine que concorria era Aquilo que dá no coração, mas eu resolvi fazer o post com outra, porque acho Martelo Bigorna mais contundente e escolhi um trecho que passa bem a mensagem que eu queria. E acho que é bem o que o Lenine deve ter pensado/sentido, porque é um puta músico, puta compositor, brilhante, e ali, tendo que concorrer ao lado da escória musical da atualidade. E certeza que ele deve pensar que é isso, que tendo tudo contra, nada vai mudar mesmo, ele tem que seguir com aquele desejo contundente dentro de si, de continuar fazendo o que sabe fazer de melhor, mesmo tomando na cara, levando porrada e tendo que passar por situações como essa.

E eu sou muito assim, se eu acredito, eu vou a luta, até a minha última gota de sangue. Sou dessas que dá murro em ponta de faca. Sempre ouvi dos meus pais, desde criança, que o que mais impressionava neles a respeito de mim era a minha determinação, de nunca ter deixado de batalhar por aquilo que eu queria. Sempre fui, firme no que queria, mesmo tendo absolutamente nada a meu favor e eu acho que a mensagem de Martelo Bigorna é bem essa: de luta, de garra e de determinação. E essa é a sina dos amantes da boa música diante de um país tão desconhecedor de seus reais talentos.

Acabou chorare, ficou tudo lindo
De manhã cedinho
Tudo cá cá cá, na fé fé fé
No bu bu li li, no bu bu li lindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo
Talvez pelo buraquinho
Invadiu-me a casa
Me acordou na cama
Tomou o meu coração
E sentou na minha mão
Abelha, abelhinha…
Acabou chorare
Faz zunzum pra mim
Faz zunzum pra eu ver
Abelho, abelhinha
Escondido faz bonito
Faz zunzum e mel
Faz zum zum e mel
Faz zum zum e mel
Inda de lambuja
Tem o carneirinho
Presente na boca
Acordando toda gente
Tão suave mé, que suavemente
Abelha, carneirinho…
Acabou chorare
No meio do mundo
Respirei eu fundo
Foi-se tudo pra escanteio
Vi o sapo na lagoa
Entre nessa que é boa
Fiz zunzum e pronto
Fiz zum zum e pronto
Fiz zum zum


Acabou chorare (Galvão – Moraes Moreira) – Novos Baianos

Essa é daquelas músicas que eu escuto desde criança com o meu pai, sabe! E adoro… Tentei escolher um trecho e não consegui, por isso enfiei ela completa goela abaixo de vocês. Mas o fato é que a música toda me dá um sentimento tão bom, uma paz, um alto-astral…

Esse trechinho talvez pelo buraquinho, invadiu-me a casa, me acordou na cama. Tomou o meu coração e sentou na minha mão, é bem isso, da energia que chega e te toma e te faz feliz, naquele momento em que a música toca e que, às vezes, tem a capacidade de se irradiar pelo resto do seu dia, te fazendo um bem enorme. E foi isso que Acabou Chorare fez por mim hoje e que eu queria compartilhar com vocês.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.