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Que bom, amigo
Saber que na minha porta
A qualquer hora
Uma daquelas pessoas que a gente espera
Que chega trazendo a vida
Será você
Sem preocupação

Que bom, amigo – Milton Nascimento

Hoje, a Lelê me fez chorar com um depoimento que escreveu pra mim. E muito do que ela falou é tão recíproco, tão recíproco que poderiam ser palavras minhas. É engraçado que a Lelê entrou indiretamente na minha vida, ela era amiga da Gabi, que trabalhava comigo na Dudinka. Sempre ficava ouvindo milhares de histórias sobre a pessoa divertida que ela era e também do lendário Luquinhas, filho dela. Assim comecei a ler o Eneaotil – e fui conhecendo melhor os dois personagens, sem conhecê-los pessoalmente. Mas destino é coisa de doido, e não é que a Lelê virou amiga do Wandeko, meu amigão AND padrinho de casamento?! Pronto, tava escrito. Começamos a conviver mais e a empatia era imensa. Pra começar que não dá pra não gostar da Lelê, ela é uma delícia de pessoa. Bastam dois minutos ao seu lado pra já soltar boas risadas.

E assim, pouco a pouco, ela foi entrando na minha vida pra ficar. Ela e o Luquinhas. E por tabela o Rafa, a Dona Rose e o Seu Fausto. É uma família toda muito querida, gente especial de verdade, que não se vê em qualquer esquina. Daí foram inúmeros churrascos, pizzas, “zé do hamburguer”, tudo isso sempre regado a muita gargalhada.

Mas, além de ser uma pessoa divertida e alto-astral, ela também é muito ponta-firme e já me vi desabafando sobre tudo com ela. E ela tá sempre lá, boa ouvinte e conselheira. E como ela mesmo disse, “na 5ª série que tivéssemos nos conhecido, eu teria escrito na capa do caderno dela que queria ser sua amiga para toda a vida. Como somos adultas, nós sabemos que é para sempre mesmo”. <3 muito!

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Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo…

E o que me importa
É não estar vencido

Sangue Latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça) – Secos e Molhados

Sempre, sempre, sempre, o que importa é não estar (e até mais, não se sentir) vencido. E eu não me sinto, apanhei, apanho, mas ainda estou na batalha. Grito, sofro, me arrebento, mas não tô vencida. Eu tô aqui, pro que der e vier.

Acho que eu fico mesmo diferente
Quando eu falo tudo o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
Eu uso as palavras de um perdedor
As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei
As brigas que perdi
Estas sim
Eu nunca esqueci
Eu nunca esqueci

Perdendo os dentes (John/Fernanda Takai) – Pato Fu

Essa música já foi postada aqui, mas é mais do que propício postá-la novamente… Sim, eu bem sei, mais do que ninguém que não adianta nada ficar batendo boca e cabeça por aí. Sei, mas entre o saber e o agir corretamente há uma larga distância, né!

Me lembro que até meus 21/22 anos eu era uma das pessoas mais cabeça-dura que já passou pela face da Terra. Mas pouco a pouco e a muito custo, na faculdade, no ballet, nos empregos, e em N outras situações eu fui aprendendo que essa mania de bater o pé firme no chão, em muitas vezes, de nada me adiantava, e eu só me machucava e ainda machucava os outros. E assim fui aprendendo, por mais difícil que fosse, tentar ver as coisas pelo prisma de outra pessoa, e, com isso, passar a aceitar opiniões e visões diferentes da minha. Pode não parecer, mas eu sempre tento fazer isso. Até quando eu não gosto da pessoa, eu me coloco no lugar dela e tento compreender a sua posição, e na maioria da vezes isso dá bem certo. Assim, aprendi não carregar mágoas e inimizades. São bem poucas as pessoas desse mundo que fazem eu carregar mágoa, até porque isso é coisa que dá muito trabalho, tanto quanto amar… Então, quando algo me desagrada eu tento compreender o que rolou praquela pessoa, e deixo quieto e vou em frente. Mas, bom, eu não sou Sidarta Gautama, tô bem longe de alcançar o nirvana e nem sempre tenho sucesso nessas minhas tentativa de compreensão do outro. E aí já viu… Se eu achar que não vale a pena, taco um foda-se e limo da minha vida, se eu achar que vale o desgaste, bato de frente e vamos que vamos. Mas há os casos em que fico remoendo coisas, empacada numa situação e aí que mora o perigo. Ainda assim estou em busca de superar isso, em busca de amadurecimento. E é assim que vou vivendo um constante aprendizado com “as brigas que perdi” e olha que eu nem cheguei na metade do caminho (e como esse caminho é duro e cansativo, viu!).

E vou continuar perdendo muitas brigas e dentes por aí, tenho certeza. Mas, pensando bem essa é uma das graças da vida, né! Afinal, sem as brigas para ganharmos e perdermos, fica tudo bem insosso…

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta

Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil) – Chico Buarque

Dói, tá doendo e vai doer mais ainda. A vida é feita de escolhas e nem sempre elas são as mais acertadas e sensatas, mas são escolhas. E assim, optando, vamos trilhando nosso caminho, muitas vezes com muita, muita, muita dor como está sendo agora.

E é pra mostrar o quão frágeis nós somos, pois nos deixamos atingir por coisa tão pequena, tão vil, tão torpe. Mas assim o somos e assim seguimos. Sendo alvo de dardos de veneno e de mesquinhez. Mas mesmo com toda a dor que nos atinge e é isso aí mesmo. Sempre em frente… =/

A grande paixão
Que foi inspiração
Do poeta é o enredo
Que emociona a velha-guarda
Lá na comissão de frente
Como a diretoria
Glória a quem trabalha o ano inteiro
Em mutirão
São escultores, são pintores, bordadeiras
São carpinteiros, vidraceiros, costureiras
Figurinista, desenhista e artesão
Gente empenhada em construir a ilusão
E que tem sonhos
Como a velha baiana
Que foi passista
Brincou em ala
Dizem que foi o grande amor de um mestre-sala
O sambista é um artista
E o nosso Tom é o diretor de harmonia
Os foliões são embalados
Pelo pessoal da bateria
Sonho de rei, de pirata e jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Mas a quaresma lá no morro é colorida
Com fantasias já usadas na avenida
Que são cortinas, que são bandeiras
Razão pra vida tão real da quarta-feira
É por isso que eu canto

Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira – Martinho da Vila

Acabou… Carnaval passou, a Portela beirou o rebaixamento, mas se livrou e acabou em 11º. Porém, pela primeira vez eu vi a justiça ser feita pela Liga das Escolas de Samba e de fato venceu a melhor, aquela que encantou o público, os críticos e o mundo todo com seu enredo sobre o segredo, com sua comissão de frente fazendo mágica, com o fogo à biblioteca de Alexandria. E a Liesa deu a Paulo Barros o título que ele merecia em 2007, quando estava na Viradouro e fez um lindíssimo desfile sobre os jogos, e que lhe foi tomado na mão grande. O cara é um puta carnavalesco, inovador, de bom gosto e que sempre busca coisas que deixam o público boquiaberto. Merecidíssimo o título de 2010 ir para a Unidos da Tijuca. A escola era uma unanimidade e todo mundo ficou bem feliz com essa vitória. Parabéns, Paulo Barros!!! Parabéns, Tijuca!!! E que venham tantos outros desfiles encantadores como esses…

Quando a Portela chegou
A platéia vibrou de emoção
Suas pastoras vaidosas
Defendiam orgulhosas
O seu pavilhão

Portela
A luta é teu ideal
O que se passou, passou
Não te podem deter
eu destino é lutar e vencer

Óh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Óh, Portela querida

Oh, minha Portela
Por ti darei minha vida
Oh, Portela querida

És tu quem levas a alegria
Para milhares de fãs
És considerada, sem vaidade

Na cidade
Como super campeã das campeãs

Eu quisera ter agora
A juventude de outrora
Idade de encantos mil

Pra trilhar contigo passo a passo
No sucesso ou no fracasso
Pela glória do samba do Brasil

O Ideal É Competir (Casquinha da Portela) – Paulinho da Viola

Na torcida com toda a força do meu coração – “Oh, minha Portela, por ti darei minha vida, oh, Portela querida”. A apuração vai começar e eu vou ficar aqui de dedos cruzados e já digo, que se não for pra minha Portela ganhar, que seja a Unidos da Tijuca que arrasou com o enredo sobre o segredo…

Tamborim avisou, cuidado,
Violão respondeu, me espera,
Cavaquinho atacou, dobrado,
Quando o apito chegou, já era.

Veio o surdo e bateu, tão forte,
Que a cuíca gemeu, de medo,
E o pandeiro dançou, que sorte,
Fazer samba não é brinquedo.

Todo mês de fevereiro, morena
Carnaval te espera
Querem te botar feitiço, morena
Mas também pudera

Alô, Fevereiro (Sidney Miller) – Roberta Sá

Pois é, já é terça-feira de Carnaval, já foi apurado o resultado do desfile de São Paulo e quem venceu foi a Rosas de Ouro – fiquei feliz porque tava torcendo contra a roubalheira deslavada que deu o título à Mocidade Alegre nos últimos anos. E como minha escola de São Paulo, em 2009, depois de muitas barrigadas, caiu pro grupo de acesso eu fiquei torcendo pra duas tradicionais: Vai-vai e Rosas de Ouro, mas no fim, me vi torcedo anti-Mocidade.

A folga tá acabando, ainda que eu só trabalhe na 5ª. Amanhã tem a apuração do Rio e o decreto do fim da folia com a chegada da 4ª feira de Cinzas.

É um clichê no Brasil dizer que o ano começa depois do Carnaval, mas pra mim, o ano termina depois do Carnaval. Pensa bem: amanhã já devem começar as propagandas da Páscoa, que logo são substituídas pelas de Dia das Mães, que ficam pra trás pra dar lugar a de Dia dos Namorados, Festa Junina, Dia dos Pais, Dia das Crianças e pumba, Natal e o ano já foi. Depois do Carnaval o ano voa com mais força e já era, ficamos mais velhos…

Agora é o momento das coisas começarem a acontecer mais rápido do que temos capacidade de registrar e vamos que vamos que a vida é essa… =D

E num hotel lá no Japão
Vi o amor vencer o tédio
Por isso a hora é de vibrar
Mais um romance tem remédio

Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha

Mais Alguém (Moreno Veloso e Quito Ribeiro) – Roberta Sá

É carnaval e eu só postarei sambas: samba, choro e samba-enredo valem! Essa música é linda e amada já há mais de um ano e agora dá pra ouvir quase todo dia na trilha de Viver a Vida. A melodia é uma delícia, a voz da Roberta Sá mais ainda, e ouso dizer que ela é das melhores coisas que o programa Fama nos legou.

A guria faz samba da melhor categoria, com um ar de velha guarda, trazendo música de excelente qualidade para as novas gerações. E eu amo o refrão de Mais Alguém porque sou uma pessoa totalmente avessa a “talvez”. Gosto de definição, de saber o que tá rolando ou o que vai rolar, essa de “quem sabe”, “talvez” etc. pra mim não rola, empaca a vida e assino embaixo da frase que diz “que talvez atrapalha”. Gosto de seguir em frente ciente do que está por vir.

E vamos que vamos, que é Carnaval e eu tô aqui curtindo a delícia carnavalesca que São Paulo sabe proporcionar. #NOT

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei !
Acredito
Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu

É Hoje (Didi e Mestrinho) – Samba enredo de 1982 do G.R.E.S. União da Ilha do Governador

Não é samba da minha Portela, mas acho que é um dos samba-enredo mais emblemáticos que conheço. Ultrapassou as fronteiras da passarela e já foi regravado por Caetano Veloso, Fernanda Abreu etc. – tanto que em 2008 a própria escola reutilizou o samba-enredo. Música que já tá na ponta da língua de todo mundo e que é animada, com uma letra pra cima e que reflete a alma de todo mundo que gosta de Carnaval. E eu acho que na versão da Fernanda Abreu, com batida de funk ao fundo é perfeito e é impossível não sair cantando e dançando.

E, é Carnaval, é hoje o dia da alegria e a tristeza, nem pode pensar em chegar.

Antigamente era Paulo da Portela
Agora é Paulinho da Viola
Paulo da Portela, nosso professor
Paulinho da Viola, o seu sucessor
Vejam que coisa mais bela
O passado e o presente
Da nossa querida Portela

Paulo, com sua voz comovente
Cantava ensinando a gente
Com pureza e prazer
O seu sucessor na mesma trilha
É razão que hoje brilha
Vaidade nele não se vê
Ó Deus, conservai esse menino
Que a Portela do seu Natalino
Saúda com amor e paz
Quem manda um abraço é Rufino
Pois Candeia e Picolino lhe desejam muito mais

De Paulo da Portela a Paulinho da Viola

Carnaval chegou e hoje vou falar um pouco sobre um amor específico que sinto, que é intimamente ligado ao carnaval…

Do meu pai, nessa vida, herdei alguns amores – ainda que a grande frustração dele seja eu não ter herdado o amor pelo “Bahêa”. Mas com ele aprendi a amar o mar (e me doer tanto viver numa cidade cinza e sem praia), ao Palmeiras (que virei uma fanática de carteirinha e para quem ele vem perguntar sobre as novidades), ao Botafogo (e ao estilo moleque de Guarrincha), ao Rio de Janeiro e, às paixões que são o motivo desse post, ao samba e à Portela. Curiosamente, desde a infância minhas cores prediletas são azul e branco (até os bem-casados do meu casamento sabem disso… =D).

Pequenininha eu aprendi a amar a Portela, nem sabia direito o que era Carnaval, mas tava lá, na frente da TV, acompanhando os desfiles e torcendo loucamente. E ainda bem pequena, vi a escola rachar e dar origem à Tradição, lado para o qual meu pai chegou a se bandear, mas de onde acabou voltando. Já eu, achava estranho eu ser Portela e ter que mudar, e na minha cabeça de criança, ainda dizia que era Portela. Do alto dos meus 5 anos, já sabia que eu nunca ia gostar da postura “vira-casaca” – hehehe.

E assim segui, apaixonada pela Azul e Branco, pela águia e pela Velha Guarda da escola (que sempre me faz chorar – amo Monarco e Tia Surica), e nunca, seja lá o horário que passe, deixei de assistir a um desfile da minha Portela querida. Porém, como sou uma paulistana requenguela, ainda não tive o prazer de assistir ao vivo e em cores, diretamente da Sapucaí esse espetáculo de encher os olhos e a alma. Mas não morro sem ver minha Portela de pertinho. O ano passado, nessa mesma época, eu postei Foi um rio que passou em minha vida, bradando que “meu coração tem mania de amor, amor não é fácil de achar”. E comprovo que não é mesmo e que quando vem, vem pra ficar…

PS: Um dos momentos mais marcantes e emocionantes da minha carreira como jornalista foi em 2004 quando eu entrevistei o Monarco – um grande ídolo e uma pessoa incrível, simples, antencioso. Um fofo! Eu que já gostava dele, passei a gostar 10 vezes mais… =D

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