E lá vai menino senhor de todo o fruto
Sem nenhum pecado sem pavor
O medo em minha vida nasceu muito depois
descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere o coração
Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar

Saudade dos Aviões da Panair (Milton Nascimento e Fernanado Brant) – Milton Nascimento

É impressionante a capacidade que essa música tem de me tocar… Acho tão linda, tão sensível! Gosto dela inteira, verso por verso… Foi até difícil escolher só um trecho pra colocar aqui. O que eu escolhi foi por conta de falar do destemor que temos quando crianças e que tão pouca coisa pode nos atingir nessa fase. A tristeza é tão efêmera, qualquer coisinha já é capaz de devolver o sorriso ao rosto de uma criança. Criança aproveita cada segundo, chega numa festa, não conhece ninguém e de repente já é melhor amigo de umas outras 10 crianças.

O triste é que vamos perdendo essa pureza com o tempo. Na adolescência começamos a achar que tudo é um mico e acabamos nos privando de fazer um monte de coisas. Passamos a ter medo de qualquer estranho que se aproxime e com isso podemos estar perdendo grandes oportunidades de conhecer pessoas incríveis.

A vantagem de ser uma pessoa desenibida como eu é que, conservamos uma parte desse lado de criança – me aproximo das pessoas com muita facilidade e não tenho muito medo de me expor. E também sou uma das pessoas mais destemidas que conheço – até brinco com todo mundo, que sou tão desencanada de ladrão e essas paranóias todas, que no fim, nunca fui assaltada, e olha que eu zanzo pra cima e pra baixo pela noite paulistana – muitas vezes sozinha.

Tem gente que me avacalha, fala que sou Robert e tal, mas acho que acabei conseguindo conservar o lado criança que todo mundo fala ser tão primordial. Tenho comigo a expontaneidade infantil, acho graça de tudo e mais um pouco, me divirto com muito pouco, e não tenho medo de muita coisa nessa vida… Sou uma criançona de 31 anos, e, na medida do possível, sou bem feliz!

Tenho muita saudades dos tempos dos Aviões da Panair Transbrasil e de tantas horas infantis que passei a bordo deles, assim como tenho saudades das festinhas com pichorras, brincadeira de colar rabo do burro, barra-manteiga, corre-cotia e por aí vai. Tenho saudades dessas coisas que não tem como voltar. Por isso, me manter “criança” o tanto que dá é o meu jeito de matar as saudades de tanta coisa boa que ficou pra trás. =)

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