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O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante, sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu

Tendo a Lua (Herbert Vianna e Tet Tillett) – Paralamas do Sucesso

Precisamos disso mais do que tudo na vida. Pra que ela tenha beleza, graça e leveza. Enxergar a poesia nas coisas mais mínimas e perceber que o céu de Ícaro é infinitamente mais encantador que o de Galileu. É uma lua linda e mística que faz, desde sempre, com que casais enamorados fiquem cada vez mais apaixonados, é sua beleza e não suas condições físicas, geográficas e geológicas. Não é a Lua que os americanos pisaram que nos encanta, mas sim a Lua que está aí brilhando desde o começo dos tempos.

Ver as coisas com poesia faz nossa vida correr tão mais macia, faz termos borboletas na barriga, faz nos apaixonarmos e reapaixonarmos sempre pela mesma pessoa. Ceticismo, lógica e ciência são imprescindíveis, mas sozinhos acabam tornando a nossa vida extremamente árida. Então, nunca deixem a poesia fugir de vocês…

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver

Reconvexo (Caetano Veloso) – Maria Bethânia

Pra começar, essa música, na voz do Caetano perde metade de sua graça… E olha que nem sou fã da Bethânia, mas sua voz forte e característica imprimem personalidade à letra tão lindamente composta por Caetano. Tenho trabalhado tanto e feito tantas e tantas coisas, como boa mulher moderna que sou, que quase tenho me sentido onipresente e onipotente, podendo fazer tudo ao mesmo tempo e estar em vários lugares simultaneamente.

Ultimamente tenho tido pouco tempo pra fazer coisas que gosto, mas, não me pergunte como, tenho conseguido dar conta de tudo. De chegar do trabalho e brincar com a Pepper, de curtir o Thi, de assistir aos jogos da Copa (como apaixonada por futebol que sou), de ver meus pais, de ir ao cinema e por aí vai. Como tenho dado conta disso, mesmo tendo um trabalho fixo e fazendo uns mil jobs como free-lancer, é um mistério até pra mim, mas, impressionantemente, tenho dado conta de tudo isso.

E sei que, por mais que eu esteja me sentido bem cansada, e querendo umas horinhas extra de sono (ainda mais com esse frio que tem feito em São Paulo), mas sei que isso é apenas o momento e que logo mais as coisas se acalmam e eu vou poder fazer tudo que estou fazendo e ainda por cima, conseguir dormir um pouco mais. =)

Sei que há leguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a Primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim

Tanto Mar – Chico Buarque

Hoje faleceu José Saramago, o maior escritor que a Língua Portuguesa já teve. Inteligente, contundente, de um estilo muito próprio (e único). Um cara que eu descobri graças ao vestibular, uma vez que figurava em todas as listas de leitura obrigatória, e que aprendi a amar do alto de meus 16 anos de idade. Um tipo de leitura, que no começo me ofereceu um grau de dificuldade além do que eu esperava, eu, leitora voraz desde os meus 4 anos de idade, que nunca consegui ficar diante de um livro sem devorá-lo. Ao começar a ler Memorial do Convento confesso que me assustei e que demorei mais do que o meu normal para concluí-lo. Porém, depois reli e fui me encantando com a história de Baltasar e Blimunda e da construção do convento de Mafra. E por me interessar tanto pelo livro e por destrinchar seu enredo, sempre digo que devo a Saramago e a Memorial do Convento a minha aprovação nos vestibulares da USP e da Unicamp, uma vez que, em ambas as provas, o livro foi a questão dissertativa de Português da segunda fase e sobre a qual eu soube discorrer com muita facilidade.

Em 1997, quando eu já estava cursando História, lembro-me que ele veio ao Brasil para lançar o livro Terra, junto com Chico Buarque e Sebastião Salgado, e por conta disso houve um evento no Mackenzie – que estava lotaaaaaaado… Fui com uma amiga da faculdade, a Renata, e consegui me espremer até o palco e conseguir um autógrafo do Saramago na minha edição de Memorial do Convento. Fui pra casa radiante, nem dormi direito. E hoje, logo que acordei, recebi do Thi a notícia de que ele havia falecido e fiquei profundamente triste. Estou tocada e não parava de pensar na enorme perda sofrida pela literatura. E achei engraçado que, de um momento para o outro, todo mundo passou a ser admirador de Saramago – coisas que só a necrofilia da arte explica… o.O

Por conta da parceria em Terra, a música para celebrar Saramago só poderia ser do Chico Buarque. E há varios porquês para ser esta… =)

Um adendo à respeito dessa música: essa na verdade é a segunda versão que o Chico escreveu para Tanto Mar, pois a primeira foi censurada, uma vez que era uma saudação à Revolução dos Cravos, que aconteceu em abril de 1974, em Portugal, e derrubou o regime ditatorial que se estendia desde 1933, uma amarga herança deixada por Salazar para os portugueses. Essa primeira versão foi gravada num espectáculo ao vivo com a Maria Bethânia, que depois foi passado para em 1975. Já a segunda versão, que é essa que eu posto, foi gravada no início de 1976 e serviu também como um marco ao fim do período mais duro da ditadura que era imposta ao Brasil.

Eu, como boa graduada em História que sou, não poderia deixar de mencionar essa música, porque além de amá-la, não deixa de ter ligação direta com Saramago, que na época da Revolução dos Cravos trabalhava como diretor-adjunto do Diário de Notícias, um importante jornal de Portugal, e que na época fez uma intensa cobertura desse importante acontecimento histórico.

E como curiosidade mesmo, o cravo vermelho tornou-se o símbolo dessa revolução porque quando esse movimento estourou. Logo ao amanhecer o povo começou a juntar-se nas ruas, juntamente com os soldados revoltosos. Uma florista que levava cravos para um hotel teria dado um cravo a um soldado, que o colocou no cano da espingarda.Os outros soldados vendo a rua cheia de floristas o imitaram, enfiando cravos vermelhos nos canos de suas armas. E fizeram uma revolução digna de Gandhi, totalmente pacifista e extremamente simbólica.

Saramago é, de fato, um imortal e deixou seu nome para sempre nas suas obras magistrais!!!

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

Bola de meia, Bola de Gude – Milton Nascimento

Hoje foi a estreia do Brasil na Copa de 2010. Vitória magrinha que somou os 3 pontos, mas não convenceu ninguém. Por enquanto, a seleção de Dunga continua como há pouco mais de um mês, quando ele anunciou a convocação e deixou meio mundo descontente. Mas somos brasileiros, não desistimos nunca e ainda temos esperança.

Vivemos no País do Futebol, que come, bebe e respira esse esporte e que em dia de Copa do Mundo pára. Na hora do jogo parece cidade fantasma de filme de faroeste. É como se o mundo parasse e nada mais existisse. E vai ser sempre assim, não vai mudar.

Um país pobre, que ainda assim consegue manter sempre o sorriso no rosto e transformar uma bola de meia num meio para demonstrar talento. Um lugar que apesar de toda a injustiça e desigualdade, consegue acreditar que as coisas vão acontecer da melhor possível e que apesar de já ter passado pela mão de tanta gente escrota, ainda é um país menino, que tem sonhos, acredita e que não pode “aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal”.

É um país feliz, apesar de todos os tropeços, e que mesmo diante de tanta coisa ruim que tem acontecido, ainda me faz ter fé num futuro melhor pra todos nós, brasileiros. Num futuro mais justo e feliz, onde o futebol seja muito mais que o ópio do povo – que seja apenas mais uma das muitas razões que o brasileiro tem para botar um sorriso no rosto e bater no peito com orgulho de sua pátria. Eu acredito nesse Brasil melhor e batalho por isso. =)

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Isso é um mantra diário, sempre que algo vem pra azucrinar e tirar a minha paz. 😊 Cajuína - Caetano Veloso (mas eu gosto bem mais na voz da Gal Costa) - é uma música linda, lindíssima, curtinha e maravilhosa, que sempre, sempre, sempre me arranca lágrimas. Caetano a compôs em homenagem ao amigo Torquato Neto, que foi junto com ele um dos fundadores do Tropicalismo, e que se suicidou no começo da década de 70.  #MPB #tropicalismo #caetanoveloso #galcosta #torquatoneto Ê, povo, ê - Gilberto Gil #MPB #GilbertoGil - música que tá tocando em looping na minha semana desde domingo. Código de acesso (Itamar Assunção) - Zélia Duncan #MPB #zéliaduncan #itamarassunção Eu nunca te amei idiota (Alvin L.) - Ana Carolina #MPB #rocknacional #anacarolina Sobre o tempo (John) - Pato Fu #patofu #rocknacional #fernandatakai Dê um rolê (Moraes Moreira) - Novos Baianos #NovosBaianos #MPB Caçamba (Éfson e Odibar) - Molejo #samba #pagode #molejo Viva (Kledir Ramil) – Kleiton e Kledir #MPB #kleitonekledir
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