Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Martelo Bigorna – Lenine

Hoje eu tive, eu precisei… Era uma obrigação para com a música brasileira de qualidade. Isso por conta do resultado do Melhores do Ano do Domingão do Faustão. Que é só a constatação de como o brasileiro vota mal em toda e qualquer instância: é em eleições, referendo, BBB, A Fazenda, Multishow, VMB e por aí vai. No Melhores do Ano é que não seria diferente…

Pra começar que eu achei desonroso colocarem o Lenine concorrendo ao lado de Rebolation e Meteoro da Paixão. Sério, chega a ser ofensivo… E é claro que, desde o começo eu sabia que as taliFãs do Luan Santana fariam com que a canção dele saísse vencedora. E é óbvio que quem coloca Lenine na mesma panela de Parangolé e Luan Santana não pode ter a mínima noção do que é música, de melodia, de poesia, de ritmo e de mais nada nessa vida.

A canção do Lenine que concorria era Aquilo que dá no coração, mas eu resolvi fazer o post com outra, porque acho Martelo Bigorna mais contundente e escolhi um trecho que passa bem a mensagem que eu queria. E acho que é bem o que o Lenine deve ter pensado/sentido, porque é um puta músico, puta compositor, brilhante, e ali, tendo que concorrer ao lado da escória musical da atualidade. E certeza que ele deve pensar que é isso, que tendo tudo contra, nada vai mudar mesmo, ele tem que seguir com aquele desejo contundente dentro de si, de continuar fazendo o que sabe fazer de melhor, mesmo tomando na cara, levando porrada e tendo que passar por situações como essa.

E eu sou muito assim, se eu acredito, eu vou a luta, até a minha última gota de sangue. Sou dessas que dá murro em ponta de faca. Sempre ouvi dos meus pais, desde criança, que o que mais impressionava neles a respeito de mim era a minha determinação, de nunca ter deixado de batalhar por aquilo que eu queria. Sempre fui, firme no que queria, mesmo tendo absolutamente nada a meu favor e eu acho que a mensagem de Martelo Bigorna é bem essa: de luta, de garra e de determinação. E essa é a sina dos amantes da boa música diante de um país tão desconhecedor de seus reais talentos.

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