Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Timoneiro – Paulinho da Viola

Paulinho da Viola é um primor, um gênio, um verdadeiro príncipe do samba. E com ele e com Timoneiro eu aprendi uma das mais duras lições dessa vida, que não sou eu quem me navego, quem me navega é o mar.

Curiosamente, desde muito nova eu já tinha minha vida muito bem traçada e planejada, era das poucas que, desde a 8ª série já sabia para o que ia prestar vestibular e tinha a vida toda planilhada. Como se nada pudesse dar errado e interferir nos meus planos. O duro mesmo foi ver o quanto o acaso interfere no que você planejou.

Tem dia que bate uma deprê, quando paro pra fazer um balanço e vejo que sou 0% do que tinha sonhado ser quando tinha 16 anos. Porém, o que a gente precisa parar pra pensar é que isso não é necessariamente ruim. A gente só precisa estar aberto e lidar bem com acaso, saber se deixar pela maré e deixar o mar te navegar. Acho que assim fica mais fácil encarar a vida, porque já que não tem jeito mesmo, a gente tem que dar um jeito de encarar os altos e baixos de cada onda e seguir em frente.

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