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Reviver tudo o que sofreu
Porto de desesperança e lágrima
Dor de solidão
Reza pra teus orixás
Guarda o toque do tambor
Pra saudar tua beleza
Na volta da razão
Pele negra, quente e meiga
Teu corpo e o suor
Para a dança da alegria
E mil asas pra voar
Que haverão de vir um dia
E que chegue já, não demore, não
Hora de humanidade, de acordar
Continente e mais
A canção segue a pedir por ti

África, berço de meus pais
Ouço a voz de seu lamento
De multidão
Grade e escravidão
A vergonha dia a dia
E o vento do teu sul
É semente de outra história
Que já se repetiu
A aurora que esperamos
E o homem não sentiu
Que o fim dessa maldade
É o gás que gera o caos
É a marca da loucura
África, em nome de deus
Cala a boca desse mundo
E caminha, até nunca mais
A canção segue a torcer por nós

Lágrimas do Sul – Milton Nascimento

Já tem um tempinho que eu tô querendo voltar a postar aqui com todo o carinho e atenção que esse meu projeto musical merece, e hoje, por mais que o motivo seja triste, é uma data que pede por este retorno. Pra começar que eu queria que de qualquer maneira que este retorno fosse com Milton.

A música escolhida hoje também é conhecida como Para Winnie Mandela, e é linda, e para mim fala de um legado que a raça negra vive ao longo de toda a sua história, de todo o sofrimento pelo qual passou ao longo de séculos de exploração, escravidão e discriminação.

E hoje o mundo fica mais triste, mais pobre de ícones, de exemplos, pois perdeu um ser humano fantástico, um modelo de conduta, que sempre lutou por seus ideais, que passou quase 30 anos de sua vida preso buscando um mundo onde a cor da pele não fosse determinante jamais. Conseguiu mudar um pouco a história da África do Sul, assim como deixou um legado para a história da humanidade e hoje descansa sabendo que cumpriu seu papel nesse planeta. Nelson Mandela que sua luta siga viva por muitas gerações e que a sua morte sirva como um lembrete de que ainda há muito a ser feito para que o mundo que ele sonhou se torne realidade.

Descanse em paz e que o brilho de sua luta resplandeça ainda por muitos anos.

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Reviver tudo o que sofreu
Porto de desesperança e lágrima
Dor de solidão
Reza pra teus orixás
Guarda o toque do tambor
Pra saudar tua beleza
Na volta da razão
Pele negra, quente e meiga
Teu corpo e o suor
Para a dança da alegria
E mil asas pra voar
Que haverão de vir um dia
E que chegue já, não demore, não
Hora de humanidade, de acordar
Continente e mais
A canção segue a pedir por ti

África, berço de meus pais
Ouço a voz de seu lamento
De multidão
Grade e escravidão
A vergonha dia a dia
E o vento do teu sul
É semente de outra história
Que já se repetiu
A aurora que esperamos
E o homem não sentiu
Que o fim dessa maldade
É o gás que gera o caos
É a marca da loucura
África, em nome de deus
Cala a boca desse mundo
E caminha, até nunca mais
A canção segue a torcer por nós

Lágrimas do Sul – Milton Nascimento

Dia 13 de maio de 2010: 122 anos de abolição da escravatura. Mais de um século e tanto preconceito, discrimação e racismo continuam tão presentes na cultura brasileira. Um país que tem no DNA do seu povo uma miscigenação sem precedentes, uma nação onde todo mundo carrega seu quinhão de negro, índio e europeu (seja lá qual for) em seu genótipo. E a maior parte das vezes, por conta do fenótipo querem excluir, diminuir, desrespeitar alguns.

Eu sou isso aqui, filha de pai negro (filho de um português com uma negra retinta) e de uma mãe branca (neta de português, francês e índio), que falo que sou filha de negro e me olha com cara de “até parece!”, afinal, nasci de cabelo liso e uma pele morena desbotada. Mas basta olhar pro meu nariz de batata (quase uma fornalha) e minha testa e ver que não nego a raça que minha vó me legou no DNA. Assim como o cabelo liso, apesar da predominância do cabelo crespo na genética, é a herança que minha bisavó índia me deixou. E esse tom de pele moreno indefinido é bem o resultado de toda essa mistureba racial que fez de mim o que sou.

E por conta disso que não consigo compreender um preconceito tão forte se perpetuando por mais de um século. Hoje é um dia que não merece ser celebrado, porque marca nada mais que uma nódoa no nosso passado. O maior país da América Latina e o último a deixar de ter mão de obra escrava. Uma nação com uma complexidade cultural, racial e religiosa tão grande, e que, ainda assim, continua e continuará por muito tempo fingindo que racismo não existe, que negro gosta de se fazer de vítima, mas que ainda assim fecha os vidros do carro correndo quando algum negro se aproxima.

Neguinho tem vergonha de dizer que tem tataravó negro, mas aí, na hora de levar vantagem, mesmo sendo loiro, se lembra disso, pra ser merecedor do sistema de cotas universitárias. O país da dissimulação… O país dos espertos… Um país que mente pra si mesmo… O país da farsa muito mal disfarçada… E há 122 anos temos virado, cada dia mais, especialista nisso…

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Simples Desejo (Daniel Carlomagno e Jair Oliveira) - Luciana Mello #mpb #lucianamello #jairoliveira

Isso é um mantra diário, sempre que algo vem pra azucrinar e tirar a minha paz. 😊 Cajuína - Caetano Veloso (mas eu gosto bem mais na voz da Gal Costa) - é uma música linda, lindíssima, curtinha e maravilhosa, que sempre, sempre, sempre me arranca lágrimas. Caetano a compôs em homenagem ao amigo Torquato Neto, que foi junto com ele um dos fundadores do Tropicalismo, e que se suicidou no começo da década de 70.  #MPB #tropicalismo #caetanoveloso #galcosta #torquatoneto Ê, povo, ê - Gilberto Gil #MPB #GilbertoGil - música que tá tocando em looping na minha semana desde domingo. Código de acesso (Itamar Assunção) - Zélia Duncan #MPB #zéliaduncan #itamarassunção Eu nunca te amei idiota (Alvin L.) - Ana Carolina #MPB #rocknacional #anacarolina Sobre o tempo (John) - Pato Fu #patofu #rocknacional #fernandatakai Dê um rolê (Moraes Moreira) - Novos Baianos #NovosBaianos #MPB Caçamba (Éfson e Odibar) - Molejo #samba #pagode #molejo Viva (Kledir Ramil) – Kleiton e Kledir #MPB #kleitonekledir
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Isso é um mantra diário, sempre que algo vem pra azucrinar e tirar a minha paz. 😊